A Ópera em Portugal no Século XVIII

A primeira ópera moderna surgiu em Florença, no Carnaval de 1598, da autoria de Ottavio Rinuccini (texto) e Jacopo Peri (música). Estes criam e dão continuidade a um novo género dramático-musical que em pouco tempo ganhou popularidade e ocasionou as mais elevadas paixões.

Em Portugal, D. João V iniciou, no século XVIII, um processo de renovação da vida musical, instituindo em 1713 a Escola de Música do Seminário da Patriarcal. Esta seria, durante todo o século XVIII e o início do século XIX (até ao liberalismo), o mais emblemático estabelecimento musical português. Com fundos da Patriarcal, o monarca enviou para Roma alguns jovens bolseiros, com a missão de desenvolverem os seus conhecimentos musicais._AAA1397_g

Entre eles, estavam António Teixeira e Francisco António de Almeida, que, após o seu regresso à capital portuguesa, se destacaram como compositores de ópera: o primeiro nas óperas populares em língua portuguesa, representadas no Teatro do Bairro Alto, associando-se, nas suas produções, àquele que ficou conhecido como “o Judeu” – António José da Silva.

Já Francisco António de Almeida seguiu a prática da ópera palaciana com libreto italiano, tendo como título mais conhecido “La Spinalba”, recebida como obra-prima em 1739, ano em que se estreou no Paço da Ribeira.

Curiosamente, ambos os géneros de espetáculo músico-teatral – popular e palaciano – tiveram continuidade até aos nossos dias. Com as atualizações impostas pela natural evolução histórica, reconhecem-se hoje na forma e na crítica das “revistas”. Muito apreciadas no Parque Mayer, as “revistas” são o descendente mais direto das óperas populares portuguesas setecentistas. O género palaciano, por sua vez, continua a ser cultivado nas óperas cantadas no Teatro de S. Carlos, nos seus idiomas originais.

Em suma, foi no reinado de D. João V que o gosto pela ópera se instalou em Portugal, cativando o público de todas as classes sociais. Se demorou tanto tempo a chegar a este canto da Europa, tal deveu-se a que a música nacional estivesse bastante ligada à Igreja e à composição polifónica coral. Foi esse, aliás, o motivo pelo qual o rei decidiu atualizar o gosto português e o ensino da música.