Coleção de Dramaturgia Popular Portuguesa
A tradição dramática tem raízes fundas na cultura portuguesa, em que a comédia e a sátira têm recebido a preferência de público e autores, sob o lema “Ridendo castigat mores” (“A rir se castigam os costumes”).
Gil Vicente (c. 1465 – c. 1536), como fundador do teatro autóctone, tem entre as dezenas de obras publicadas muitos dos títulos aclamados pela Academia e pelo público leitor:
- “Auto da Índia” (1509);
- “Auto da Fama” (1510);
- “Trilogia das Barcas” (1515-1519);
- “Farsa de Inês Pereira” (1523).
Outro autor renascentista importante foi António Ferreira (1528-1569), intimamente ligado à cultura renascentista portuguesa, que escreveu, em moldes clássicos, a tragédia “A Castro”, em memória do amor proibido de Inês de Castro e D. Pedro I.
António José da Silva (1705-1739), conhecido como “o Judeu”, devido à sua origem judaica, foi um dos dramaturgos mais célebres do século XVIII. Sob a influência da ópera italiana, escreveu peças imbuídas igualmente na inspiração da comédia espanhola, que à época dominava o teatro português. Algumas das mais conhecidas são:
- ”Os Encantos de Medeia” (1735);
- “Variedades de Proteu” (1737);
- “Guerras do Alecrim e da Manjerona” (1737);
- “Precipício de Faetonte” (1738).
Almeida Garrett (1799-1854) representou um ponto de viragem irredutível na dramaturgia portuguesa, em que combinou a matriz dos géneros clássicos com o sentimentalismo romântico do início do século XIX. As suas obras mais representativas são:
- “Um Auto de Gil Vicente” (1838);
- “Filipa de Vilhena” (1846);
- “O Alfageme de Santarém” (1842);
- “Frei Luís de Sousa” (1844) – a mais aclamada.
No século XX, os destaques vão para a obra de Bernardo Santareno (1920-1980) que, na peça “O Judeu”, retrata a vida de António José da Silva. São de referir também as peças “A Promessa” (1957), “O Crime da Aldeia Velha” (1959) e “Anunciação” (1962).
Finalmente, Luís de Sttau Monteiro (1926-1993) expressa nas suas obras uma crítica à sociedade portuguesa. A mais conhecida continua a ser “Felizmente Há Luar!” (1961), que critica veladamente o contexto político do salazarismo.





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