Coleção de Dramaturgia Popular Portuguesa

Manuel_de_Figueiredo_(c._1785)_-_Giuseppe_Troni

A tradição dramática tem raízes fundas na cultura portuguesa, em que a comédia e a sátira têm recebido a preferência de público e autores, sob o lema “Ridendo castigat mores” (“A rir se castigam os costumes”).

Gil Vicente (c. 1465 – c. 1536), como fundador do teatro autóctone, tem entre as dezenas de obras publicadas muitos dos títulos aclamados pela Academia e pelo público leitor:Manuel_de_Figueiredo_(c._1785)_-_Giuseppe_Troni

  • “Auto da Índia” (1509);
  • “Auto da Fama” (1510);
  • “Trilogia das Barcas” (1515-1519);
  • “Farsa de Inês Pereira” (1523).

Outro autor renascentista importante foi António Ferreira (1528-1569), intimamente ligado à cultura renascentista portuguesa, que escreveu, em moldes clássicos, a tragédia “A Castro”, em memória do amor proibido de Inês de Castro e D. Pedro I.

António José da Silva (1705-1739), conhecido como “o Judeu”, devido à sua origem judaica, foi um dos dramaturgos mais célebres do século XVIII. Sob a influência da ópera italiana, escreveu peças imbuídas igualmente na inspiração da comédia espanhola, que à época dominava o teatro português. Algumas das mais conhecidas são:

  • ”Os Encantos de Medeia” (1735);
  • “Variedades de Proteu” (1737);
  • “Guerras do Alecrim e da Manjerona” (1737);
  • “Precipício de Faetonte” (1738).

Almeida Garrett (1799-1854) representou um ponto de viragem irredutível na dramaturgia portuguesa, em que combinou a matriz dos géneros clássicos com o sentimentalismo romântico do início do século XIX. As suas obras mais representativas são:

  • “Um Auto de Gil Vicente” (1838);
  • “Filipa de Vilhena” (1846);
  • “O Alfageme de Santarém” (1842);
  • “Frei Luís de Sousa” (1844) – a mais aclamada.

No século XX, os destaques vão para a obra de Bernardo Santareno (1920-1980) que, na peça “O Judeu”, retrata a vida de António José da Silva. São de referir também as peças “A Promessa” (1957), “O Crime da Aldeia Velha” (1959) e “Anunciação” (1962).

Finalmente, Luís de Sttau Monteiro (1926-1993) expressa nas suas obras uma crítica à sociedade portuguesa. A mais conhecida continua a ser “Felizmente Há Luar!” (1961), que critica veladamente o contexto político do salazarismo.

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