Elementos do Teatro e do Drama em Portugal

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O teatro português apresenta poucos exemplos de peças escritas segundo os cânones clássicos. Já vimos que, no século XVI, a figura mais proeminente da dramaturgia portuguesa foi Gil Vicente, fundador da nossa tradição teatral. Produzindo uma obra de transição entre o espírito medieval e o humanismo renascentista, Gil Vicente apresenta estruturas e tipos marcadamente tradicionais e populares, a par de algumas questões que se inserem já no âmbito do humanismo seiscentista.

Antes de Gil Vicente, as manifestações teatrais peninsulares dividiam-se entre os géneros profanos e religiosos, os últimos dos quais com a encenação de mistérios, milagres ou moralidades, e os primeiros com arremedilhos, sermões burlescos e farsas. Os estilos dominantes eram a alegoria, a sátira e a comédia.Naples_Players_1st_Cast_Photo_I_Remember_Mama_March_20,_1953

Depois de Gil Vicente, e por influência de Sá de Miranda e do classicismo que importou de Itália, um dos objetivos dos nossos escritores renascentistas foi a recuperação da tragédia e da comédia clássicas. António Ferreira foi quem introduziu a tragédia clássica em Portugal, aproveitando um tema popular nacional – os amores de D. Pedro e D. Inês de Castro -, com “A Castro”, publicada em 1587. O mesmo autor dedicou-se à comédia clássica, tal como Luís de Camões.

No período de união dinástica com Espanha (1580-1640), o teatro espanhol, que vivia o seu período de apogeu, foi a maior influência peninsular. Entre os autores portugueses deste tempo, assume destaque D. Francisco Manuel de Melo, que, com o seu “Auto do Fidalgo do Aprendiz” (1665), recupera elementos da sátira vicentina.

O impulso de renovação recebido pelo teatro português deu-se na primeira década do século XIX, durante o Romantismo, em que Almeida Garrett formulou a intenção de criar um teatro nacional, o que veio a cumprir. Fê-lo através do desenvolvimento de um repertório dramático (com destaque para as obras “Um Auto de Gil Vicente” e “Frei Luís de Sousa”), em que integrou episódios e temas nacionais, mas também da criação do Teatro Nacional (D. Maria II) e do Conservatório de Arte Dramática.

A peça “Frei Luís de Sousa” é ainda hoje considerada a obra-prima do teatro português e do próprio Almeida Garrett.

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