Encenadores de Teatro Portugueses

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Aquando do seu empenho na formação de um repertório dramatúrgico português, Almeida Garrett queixava-se, há perto de 200 anos, da ausência de “produções dramáticas verdadeiramente nacionais”, com exceção das de Gil Vicente e António José da Silva. A crítica repetia-se em 1964, pelo crítico literário João Gaspar Simões, que repetia a ideia de que Portugal não conseguira ainda criar uma produção teatral significativa, cinco séculos após a fundação do teatro português.Pessoa_1928_Foto_BI

O certo é que os últimos dois séculos não geraram dramaturgos da craveira dos nossos maiores escritores – ficcionistas e poetas. Os prémios de dramaturgia proliferaram, na tentativa de aumentar o número de peças disponíveis, mas mantêm-se irregulares. Jorge Louraço Figueira mantém a perspetiva de que em Portugal não existe uma tradição de escrita teatral, como não existe uma tradição de montagem de peças originais, daí a correspondente falta de novos bons dramaturgos e de boas peças. Apresentamos as exceções de destaque, nas últimas décadas:

  • Jorge Silva Melo (1948): Tendo frequentado a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, fez parte do Grupo de Teatro de Letras dessa instituição. Viajou para o Reino Unido com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian e nesse país conseguiu o seu diploma em Realização. Estudou teatro em Berlim e em Milão. Com Luís Miguel Cintra, fundou, em 1973, o Teatro da Cornucópia e, em 1995, a Artistas Unidos, uma companhia dirigida por si, na qual desenvolve a sua atividade como encenador. É autor de várias peças, foi tradutor e professor na Escola Superior de Teatro e Cinema. É considerado o principal promotor de dramaturgos portugueses.
  • Filipe la Féria (1945): Dramaturgo e encenador português, está ligado ao teatro de “revista”, tendo sido responsável pela revitalização do “teatro ligeiro” em Portugal. Nascido em Serpa, estudou em Lisboa, na Escola de Teatro do Conservatório Nacional, estreando-se como ator em 1965. Homenageado com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, deslocou-se para Londres, onde recebeu o seu diploma em Encenação. Dirigiu, durante dezasseis anos, a Casa da Comédia, tendo adaptado espetáculos de diversos autores, nacionais e estrangeiros. Reconstruiu o Teatro Politeama e traduziu obras de vários dramaturgos mundiais.

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