O Teatro e as Artes na Educação Portuguesa

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A educação para as artes e a cultura, de modo geral, não tem sido uma prioridade do sistema educativo português. A prová-lo, temos os resultados do relatório do Eurobarómetro de 2013, que apresenta os portugueses como um dos grupos da União Europeia com menor taxa de participação em atividades culturais. As explicações avançadas culpam a falta de investimento, o baixo poder de compra da população e a fraca aposta na educação.

O certo é que o cinema acaba por ser das poucas atividades culturais que ainda são procuradas pelos portugueses. As bibliotecas públicas são pouco visitadas, e os museus ainda menos. A música está representada nos concertos, que ainda suscitam a adesão do público, o que acontece bem menos com os espetáculos de dança, ópera ou teatro. A leitura e a visita a monumentos são pouco apetecidas.8575034541_3286f196a6_b

A falta de envolvimento dos portugueses em atividades culturais é parcialmente explicada pela crise económica que o país atravessa; no entanto, o cerne da questão reside mais na falta de estímulo do ensino cultural nos meios educativos, que parte de não se considerar a cultura como bem essencial, o que leva à carência de investimento.

No mencionado inquérito europeu, divulgado pelo jornal “Público” no final do ano 2013, Portugal aparece posicionado no fundo da tabela, ao lado de países como a Bulgária e a Roménia. As diferenças estatísticas são grandes, quando olhamos os países mais adiantados na classificação, como a Suécia, a Dinamarca e os Países Baixos, onde a percentagem de inquiridos que declaram uma atividade cultural frequente é de 43%, 36% e 34%, respetivamente, em forte contraste com os 6% de Portugal.

Em suma, o teatro e as artes na educação portuguesa têm sido pouco favorecidos, pelos motivos apontados. A eles poderíamos ainda acrescentar o preconceito que tende a eleger as disciplinas da área de Ciências e Tecnologias como as mais conceituadas e prestigiantes, em comparação com as linguagens artísticas/criativas, que, além do mais, se considera não oferecerem garantias de emprego e por isso são pouco valorizadas ao nível do ensino.

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